Não precisa fazer muito para rir

Quinta, 03 de maio de 2018


Quando comecei a escrever esse post, a minha intenção era falar sobre algum filme de comédia. Daqueles que me faziam rir. Mesmo na décima sétima vez que fosse assistir ao filme.

Mas sabe quando você sabe quais filmes te fazem rir mas, na hora de escrever, nenhum passa pela sua cabeça e, aqueles que passam, você pensa "é, esse até faz, mas não é o exemplo que eu queria mostrar"? Como se fosse a gente estudando para aquela prova complicada em que tudo na sua cabeça foge?

Pois bem, fiquei pensando, pensando e quando me dou por conta, me pego rindo com a trilogia A Hora do Rush.

Sim, pare de esfregar os olhos, é isso mesmo que você leu, A Hora do Rush. Um filme de ação e comédia sem tanta forçação de barra. Aliás, é incrível como hoje a gente se perde na ambição de criar algo inacreditável quando caminhar pelo simples é sempre o melhor caminho.

Sabe, não é tão difícil se declarar um filme de comédia e ação. Também não é difícil admitir que faz o que faz para rir e entreter. Você não precisa disfarçar isso em analogias e metáforas, como certa produtora de filmes de heróis. Seja você mesmo, simples assim, que entretém.

"Aquela dancinha marota durante um caso de sequestro"

E é isso que me faz rir em A Hora do Rush. Não busque o sarcasmo inglês de Monty Python ou o besteirol americano de Todo Mundo em Pânico. O filme não quer provar nada disso. Ele só quer te fazer rir.

Então você olha para o Jackie Chan lutando como o inspetor Lee e sabe como o cara é um gênio por transformar uma luta numa "pequena história": ele sempre começa por baixo, em desvantagem, apanhando. É um lutador que busca no improviso (vasos, escadas, blusas) a maneira de superar as adversidades. Cada luta é algo único. Não me pergunte como, o cara é um gênio.

Do outro lado da moeda, como todo bom filme policial, a gente tem o Chris Tucker como o detetive James Carter que você simplesmente não consegue levar a sério. O melhor de tudo isso é quando o ator tem que representar um personagem teoricamente sério e fica aquele contraste fantástico entre um ator de comédia e um personagem sisudo (nem tanto vai).

Isso sem falar, é claro, nos erros de gravação de cada filme.

"É isso aí Lee. Nos últimos três anos eu estudei os estudos ancestrais do Bunda. Pera aí, eu falei bunda?"

Cara, até nisso A Hora do Rush é sincera com o espectador. Toma aqui os nossos erros, a gente tentou o máximo que pudemos, e quando não funcionou, deu nisso aqui.

É nesse post que penso em como as coisas seriam mais fáceis se fôssemos mais leves e honestos com nossas intenções.

Te entrego o melhor que posso dentro das minhas possibilidades. Pode não ser a melhor coisa do mundo, mas está carregada de verdade e boas intenções.

Acho que as coisas deveriam ser mais ou menos assim.

Abraços,

Rafael Moreno


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