Baby Driver, Pernalonga e o que será que eles escutam?

Quarta, 21 de março de 2018


Olha, faz tempo que não vejo desenho. Mas nem de relance mesmo.

Se a gente for contar com o dia de hoje, ainda sim, vai fazer um bom tempo que não assisto desenho algum. Ainda mais aqueles desenhos quando ainda passava desenhos a rodo na tevê aberta. Acho que nem passam mais.

Melhor, tirando Rick e Morty (noosssaaa, como sou modinha né? Se pá esse é um assunto para outra hora), toda vez que troco de canal e passo pelo Cartoon Network antes de ir para algum canal de filme e/ou esporte (as únicas coisas que vejo na tevê), encontro um mundo diferente daquele que já foi pra mim.

Steven Universo, Gumball e sei lá o que. Sim, tive que jogar no Google “quais os desenhos que passam hoje no Cartoon Network?” pra matar essa curiosidade. E todos aqueles desenhos de antigamente (vou usar esses jargões como se tivesse uns cinquenta anos) me trouxeram uma lembrança em comum: alguns episódios musicais. Ou melhor, episódios que tinham ÓPERA tocando como pano de fundo.

"Eu parei com essa galera aqui na tevê"

Corta para Baby Driver e a mania, muito boa por sinal, do diretor Edgar Wright ser sonoro em todas as situações do filme. Curto muito isso. Cada movimento dos personagens é cronometrado para acontecer simultaneamente com a música de fundo. Seja o Baby brincando com seu carro enquanto espera o assalto, seja dividindo o dinheiro da operação ou até mesmo a cena do Baby indo comprar café.

O cara é bom por trazer sonoridade para essas situações mundanas. O que faz com que elas tenham um significado a mais, sem precisar de um discurso ou narração de fundo. Você saca a relação do Baby com a música só pela ida dele ao café. Nada, além dos seus fones, parece importar. Com a música na cabeça seu compasso era diferente das outras duas.

Ahh, e o Baby não é como as outras pessoas. Ele é piloto de fuga. O melhor da região.

“Essa cena aqui do café aqui ó”

Um filme feito assim, de maneira descompromissada com qualquer tipo de conceito realístico me diverte. Me passa uma sensação de que alguém está me contando uma história, e não me convencendo de que aquilo pode acontecer.

Foi com esses “movimentos sonoros” do filme que acabei me lembrando de desenhos, como o do Pernalonga e do Tom e Jerry. Lembrei em como eles sincronizavam os instrumentos com as ações dos personagens, num contexto completamente diferente da música tocada.

O ponto aqui é a questão da inventividade.

Você tem um desenho voltado para a criançada tocando o Barbeiro de Sevilha (falo como se fosse um expert né? Muito longe disso, mas muito longe mesmo, tive que caçar esse nome) e a gente ri porque a piada funciona. Cada entonação da música, cada nota alta sincronizada com o movimento dos personagens tornavam a piada muito mais engraçada.

Daí, sem vergonha nenhuma. Diz aí, tirando Tom e Jerry, Pernalonga e Pica Pau (olha só, adicionando mais um nome porque acabei de lembrar), qual foi a última vez que você escutou esse estilo de música? Não significa que você deva ouvir ou que, se ouvindo, vai se tornar alguém mais culto. Só acho fantástico como um desenho consegue transmitir algo tão difícil da gente curtir de modo que flua naturalmente.

O mesmo vale para os filmes.

Não precisa ser uma regra e até entendo que cada diretor tem seu estilo. Mas tentar sair do lugar comum deveria ser algo de praxe. É o que me pego pensando a um tempinho.


"Só dá uma ligada na sincronia do desenho e da ópera"

Essa necessidade de me convencer que aquela história é de verdade, acontece no mundo “real”. Caramba, assisto filmes e séries justamente pra fugir de toda essa realidade. Essa conta não fecha e dificilmente vai fechar se continuar nessa toada.

Esperam alguma análise impactante e profunda sobre todas as nuances do diretor Edgar Wright ao conduzir o filme Baby Driver?

Pois é, desapontei vocês com mais desenhos.

Mas ainda vale a pena a comparação, ambas ideias são fodas e merecem ser assistidas.

Abraço,

Rafael Moreno


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