Todo mundo odeia o Bon Jovi

Quinta, 15 de março de 2018


Todo mundo odeia Livin on a prayer.

No último episódio da série a gente vai pra Brooklyn e se depara com Chris chegando em um restaurante. Ele olha para um lado, olha para o outro e, tipo num cardápio de músicas, escolhe uma.

Chris cantando Livin on a prayer com a sua família na mesa do restaurante, enquanto espera pelo seu pai com o resultado do exame do seu supletivo, é a melhor definição de como uma música consegue “entender” o que tá rolando.

Ela não foi tocada ali de graça. Talvez a escolha da música, por mais que o Chris não fizesse ideia, não tenha sido tão aleatória assim.

Penso que a música é boa quando ela consegue traduzir aquilo que você tá passando no momento, seja esse momento qual for. A música conta uma história e você se pega pensando em “como o que tá passando se parece tanto com ela”.

A música é muito mais que a sua trilha sonora.

Veja só, Chris trabalhava lá no Doc’s, assim como o “Tommy” trabalhava também em um “docks”, de acordo com o que o Jon Bon Jovi cantava com essa história.

A gente escuta e entende como tudo foi difícil para o casal Tommy e Gina. Foi muito treta, pra falar a verdade. Os dois tiveram que ralar pra continuar seguindo em frente. Era a greve no trabalho, o emprego que faltava, a penhora das coisas de casa e a mulher sendo o elo forte da coisa toda.

Era tudo isso que acontecia naquela música, com a família inteira do Chris cantando como as coisas são difíceis.

Vivendo em uma oração, não é mesmo?

Taí os quatro cantando, da maneira que podem, do jeito que podem. A música nunca foi tão certeira como agora.

E fala sério, a gente acompanhou tudo de perto. Sabíamos o quanto essa música se fez necessário, e o quanto a necessidade os fizeram cantar a cada oportunidade que precisava ser cantada.

O pai fora de casa o dia inteiro, por conta dos dois empregos. A mãe cuidando de toda a família e trabalhando para não deixar os filhos andarem desarrumado. A merda do racismo na escola. O peso da responsabilidade em ser o “homem da casa” na ausência do pai.

A prova final para que pudesse almejar algum futuro diferente do que era mostrado nas estatísticas dos seus amigos no Brooklyn.

Quando a família se reúne na mesa da lanchonete e cantam Livin on a prayer, é porque elas sabem de tudo isso. Principalmente, elas sabem que devem cantar sempre que necessário.

Já dizia o trecho da música:

"Nós temos que aguentar, preparados ou não, Você vive pela luta quando é tudo o que resta. Estamos quase lá, vivendo de preces. Segure minha mão, nós vamos conseguir, eu prometo. Vivendo de preces."

Todo mundo odeia Livin on a prayer. Não nesse caso.

Deve ser a música do Chris.


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