Escute eles, Poe Dameron

Terça, 13 de março de 2018


Tá bom, tá bom. Não era assim que queria começar. Estou até vendo o que vai falar e nem te culpo por isso, mesmo sabendo que a gente tá meio crescido para não admitir. Então aqui vai, tudo bem?

Como nossos pais estão certos.

Isso mesmo. Bem simples por sinal. Nossos velhos estão certos.

Não por conta do cargo de pai e mãe e da moral que ele oferece. Nossos pais estão certos porque possuem uma coisa que a gente ainda tá pegando o jeito para ter pouco a pouco.

Esses velhos tem a tal da experiência.

Pulamos para Star Wars Episodio VIII pra gente sacar que somos muito como Poe Dameron do que a gente imagina.

Um dos pontos que o filme nos passa é o entender a diferença entre ser um herói e fazer um ato heroico. A sacada aqui é saber a diferença em como se dá valor ao que lhe é atribuído e ao que esperam de ti.

Poe Dameron é um dos melhores pilotos da resistência e logo no começo da história, quando tinha como missão destruir a nave do Império 2.0, acaba sendo colocado numa encruzilhada, tipo escolha de Sofia: completar a missão ou recuar com todos os pilotos que se encontravam vivos.

"Bora BB8, tenho certeza que sei o que tô fazendo"

Com isso entramos em duas vertentes: até onde os fins justificam os meios e até onde faremos algo em prol do bem maior?

Será que ser herói é cumprir um objetivo que lhe foi atribuído, independente do que aconteça ou o ato heroico é notar que, em última instância, uma vida é sempre algo que valha a pena salvar?

Ah como fiquei com raiva da General Amilyn Holdo. Aquela prepotente. Só porque é mais velha acha que manja de tudo. Olhe só pra nós, olhe para o Poe. Nós sabemos o que fazemos, sabemos sobre tudo e sobre todos.

Então vem Star Wars Episodio VIII e nos dá uma invertida bonita, mostrando que velhice não é sobre retrocesso. Ela também está ligada a algo maior que isso, como experiência e sabedoria.

Vai me dizer que não achou ruim, assim como o Poe, quando a Amilyn batia em retirada se negando ao enfrentamento e combate, como uma boa general da resistência, herança da Leia, deveria fazer?

Talvez por isso tenha sido necessário aquela cena muda. Foram dez segundos de um maravilhoso ato heroico em puro silêncio. Porque essa é a sutil diferença entre experiência e impulsividade.

"Para que possamos ensinar, é necessário, antes de tudo, aprender. Senta aí que tem dever de casa"

A experiência faz mais do que fala. A experiência escuta, compreende. Diferente de nós, enérgicos, que berramos a todos os cantos o que deve ser feito, mas não fazemos e quando tal, metemos os pés pelas mãos.

Simples assim, como aquela bronca que tomamos somente com um olhar de quem sabe o que está fazendo.

Foi quando Poe finalmente entendeu a ponto de salvar o Finn da sua, também, impulsividade em resolver as coisas ao seu modo, do jeito que a sua juventude acha que deve ser feita.

O piloto precisou apanhar, ter o dedo apontado na cara e sofrido um pouco por ter escolhido não escutar os mais sábios. Ele, como a gente, preferiu o caminho mais difícil, aquele caminho que até funciona no final das contas, mas que não é tão necessário assim para a nossa formação quando se tem um bom suporte para nos orientar.

Grande diferença do piloto no início e final do filme, certo?

Grande diferença do espectador que se deixa aprender por outros professores que não seja somente o Yoda.

Admire a experiência e sabedoria dos mais velhos. Para que possamos ensinar, é necessário, antes de tudo, aprender.

E esse primeiro passo já é um excelente início jovem Padawan.

Que a força esteja com você.


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